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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Barreiras à Nova Mobilidade

Esta é uma tradução livre do artigo de Eric Briton. É uma enumeração dos vários grupos de interesse na questão da mobilidade, provavelmente bem conhecidos. Um pouco de sistematização não faz mal a ninguém.


Editorial: Quem ou o que retarda a reforma da Nova Mobilidade?


Se você entender, a Nova Mobilidade não exige inteligência. Entretanto, enquanto a Pauta da Nova Mobilidade é um grande ponto de partida, não conseguirá fazer o trabalho milagrosamente só porque é o único jogo na cidade quando se trata de transporte sustentável. Há muita competição por todo aquele espaço da rua e também entre os ouvidos. Temos alguns pontos potencialmente mais agudos que precisam vir primeiro. Vamos dar uma olhada rápida para decolar essa mudança. Depois de alguns anos de palestras em cidades, e trabalhando e observando em muitas circunstâncias diferentes, eis aqui algumas das barreiras mais frequentemente encontradas na tentativa de deslanchar programas de reforma inovadora dos transportes, incluindo mesmo cidades que realmente precisam grandes intervenções na mobilidade.

1. O Prefeito/Administrador da cidade:  O Prefeito ou o líder máximo: (a) não entende isso; (b) sente que sabe a totalidade do tópico suficientemente para dispensar qualquer coisa a mais; (c) não considera o setor como um tema de alta prioridade para merecer uma reflexão e esforço de reforma; (d) sente confiança que sua equipe tem isso sob controle, ou quase isso; (e) não tem tempo suficiente para abraçar o assunto. Esta é a regra; felizmente há exceções.
2. A Câmara de Vereadores:  Onde há câmaras de vereadores tomando essas decisões, acontece de existir mais discordâncias do que concordâncias, pelo menos quando algo a que não estão familiarizados precisa ser aprovado, a ideia chega antes deles para a decisão. E assim mesmo, se não se conseguir algum tipo de consenso de mudança vindo das lideranças isso nunca vai acontecer.
3. Os especialistas em transportes da cidade:  os especialistas da cidade em transportes podem não estar interessados em qualquer ajuda externa. Qualquer outra coisa é sempre vista como um desafio à sua autoridade e expertise. Basicamente tem-se um problema de território, em geral com um viés profundamente arraigado na velha mobilidade.
4. Consultores locais:  os consultores especializados que já trabalham no setor nessa cidade, ou tem contato com ele, sentem que eles não precisam de nenhuma ajuda adicional, já que isso vem depois do seu trabalho e especialização (mais sim do que não, novamente, a velha mobilidade é a sua praia).
5. Grupos comerciais locais,  que na maior parte estão firmemente presos à ideia de que carros e acesso para carros (estacionamentos) são a chave para o sucesso do seu negócio.
6. Provedores dos serviços de transportes:  serviços de ônibus ou coletivos, táxis, transporte escolar, outros – tendem a ser na maior parte estreitamente focados na sua área específica de negócios, sempre premidos por condições financeiras, e então geralmente não se sabe serem abertos a novas ideias ou novos modos de fazer as coisas. Incluindo novas e mais largas parcerias com outros provedores de serviços e atores na comunidade. Este não é o caso em todas as cidades, mas a maioria dos operadores estão sob tal pressão financeira e gerencial que praticamente não tem margem para inovação ou experimentação.
      7. Grupos de interesse públicos:  grupos específicos de transportes, ambientalismo, ciclismo, pedestrianismo, urbanismo, emissões, qualidade de vida, grupos de vizinhança específicos etc. - todos em sua maior parte tendem a se comprometer com seu território específico e missão, e no mais das vezes não se aliam para criar programas globais de sustentabilidade da cidade.

8. Mídia local:  Por razões que incluem suas receitas de publicidade, raramente aderem à pauta da sustentabilidade.
    9. O lobby local do carro.  Enquanto há interesses políticos e financeiros presos à continuidade do uso abundante e sem restrições do carro na cidade, incluindo os concessionários e comerciantes locais, fornecedores em geral, estacionamentos, a grande variedade deste lobby é um entendimento não questionado implicando que nada deve ser feito que possa mudar seu relacionamento com o carro.
10. Todos nós: sem dúvida o maior obstáculo singular à profunda reforma dos transportes é um resultado do fato de que lida com uma área da vida pública altamente visível na qual todo mundo, do prefeito ao cuidador de cachorro, sente que tem algum grau de expertise implícita sobre o que vai funcionar ou não na cidade … porque transporte é algo que eles fazem todos os dias e podem ver com seus próprios olhos.
Este é um calcanhar de Aquiles das políticas de transportes, esta tendência humana de todos sentirem que se fazem isso (i.e. Se locomovem todo dia) isto significa que eles entendem a coisa. O problema com isto é que o transporte em cidades é um metabolismo altamente complexo de grande complexidade sistêmica que está muito mais próxima da complexidade do cérebro humano do que do outro copo de cerveja. Então um dos maiores desafios da reforma dos transportes – a única opção viável disponível - é ajudar os cidadãos e administradores públicos a chegar a aproximações a esses desafios de complexidade, sem ao mesmo tempo removê-los de seu papel como cidadãos ativos e responsáveis e deixar tudo nas mãos centralizadoras dos experts. Há um desafio de comunicação aqui. E um desafio considerável de governança também.
* * *
Veja-se, não estou tentando comprar uma briga, apenas tentando compartilhar certos padrões que tenho observado no meu trabalho em grande espectro de cidades e ambientes. Você concorda? Precisamos realmente fazer mais questionamentos difíceis, incluindo nós mesmos.
Quantas são as barreiras, 10? E se pensar nelas em teros de sua própria cidade, estou certo de que irá encontrar a maioria senão todas essas acima e outras mais. Esse é então o primeiro desafio de quem deseja avançar na pauta do transporte sustentável e entender melhor esse terreno de dificuldades e descobrir caminhos para lidar com isso.
Com certeza será impossível acomodar todos esses interesses ao mesmo tempo. Mas os conceitos fundamentais e potenciais de um sistema de mobilidade do século XXI são tais que se tomarmos uma abordagem estratégica para lidar com tais barreiras, tomando-as uma de cada vez e com grande paciência e visão, a pauta política pode ser ampliada e talvez algumas pequenas primeiras vitórias possam ser atingidas. Uma vez que isso aconteça, o restante se seguirá no devido curso.
Nosso melhor conselhor para reforma dos transportes na sua cidade: 
Comece pelo topo da lista, com seu Prefeito, enquanto simultaneamente encaminha pacientemente o trabalho na sequencia um por um. Construa uma base de suporte, e gradualmente a expanda. Seja conhecido como um grande e paciente ouvinte.
* * *
Pode haver interesse na leitura acima em paralelo com o sumário estratégico para um novo sistema de planejamento da pauta da Nova Mobilidade que pode encontrar nesse link.
http://worldstreets.wordpress.com/strategy/mission/

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