Editorial: Quem ou o que retarda a reforma da Nova Mobilidade? |
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Se você entender, a Nova Mobilidade não exige inteligência.
Entretanto, enquanto a Pauta da Nova Mobilidade é um grande ponto
de partida, não conseguirá fazer o trabalho milagrosamente só
porque é o único jogo na cidade quando se trata de transporte
sustentável. Há muita competição por todo aquele espaço da
rua e também entre os ouvidos. Temos alguns pontos potencialmente mais
agudos que precisam vir primeiro. Vamos dar uma olhada rápida
para decolar essa mudança. Depois de alguns anos de palestras em
cidades, e trabalhando e observando em muitas circunstâncias
diferentes, eis aqui algumas das barreiras mais frequentemente
encontradas na tentativa de deslanchar programas de reforma
inovadora dos transportes, incluindo mesmo cidades que realmente
precisam grandes intervenções na mobilidade.
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1.
O Prefeito/Administrador da cidade: O Prefeito ou o
líder máximo: (a) não entende isso; (b) sente que sabe a
totalidade do tópico suficientemente para dispensar qualquer
coisa a mais; (c) não considera o setor como um tema de alta
prioridade para merecer uma reflexão e esforço de reforma; (d)
sente confiança que sua equipe tem isso sob controle, ou quase
isso; (e) não tem tempo suficiente para abraçar o assunto. Esta
é a regra; felizmente há exceções.
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2.
A Câmara de Vereadores: Onde há câmaras de vereadores
tomando essas decisões, acontece de existir mais discordâncias
do que concordâncias, pelo menos quando algo a que não estão
familiarizados precisa ser aprovado, a ideia chega antes deles
para a decisão. E assim mesmo, se não se conseguir algum tipo de
consenso de mudança vindo das lideranças isso nunca vai
acontecer.
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3.
Os especialistas em transportes da cidade: os
especialistas da cidade em transportes podem não estar
interessados em qualquer ajuda externa. Qualquer outra coisa é
sempre vista como um desafio à sua autoridade e expertise.
Basicamente tem-se um problema de território, em geral com um
viés profundamente arraigado na velha mobilidade.
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4.
Consultores locais: os consultores especializados que
já trabalham no setor nessa cidade, ou tem contato com ele,
sentem que eles não precisam de nenhuma ajuda adicional, já que
isso vem depois do seu trabalho e especialização (mais sim do
que não, novamente, a velha mobilidade é a sua praia).
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5.
Grupos comerciais locais, que na maior parte estão
firmemente presos à ideia de que carros e acesso para carros
(estacionamentos) são a chave para o sucesso do seu negócio.
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6.
Provedores dos serviços de transportes: serviços de
ônibus ou coletivos, táxis, transporte escolar, outros –
tendem a ser na maior parte estreitamente focados na sua área
específica de negócios, sempre premidos por condições
financeiras, e então geralmente não se sabe serem abertos a
novas ideias ou novos modos de fazer as coisas. Incluindo novas e
mais largas parcerias com outros provedores de serviços e atores
na comunidade. Este não é o caso em todas as cidades, mas a
maioria dos operadores estão sob tal pressão financeira e
gerencial que praticamente não tem margem para inovação ou
experimentação.
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7.
Grupos de interesse públicos: grupos específicos de
transportes, ambientalismo, ciclismo, pedestrianismo, urbanismo,
emissões, qualidade de vida, grupos de vizinhança específicos
etc. - todos em sua maior parte tendem a se comprometer com seu
território específico e missão, e no mais das vezes não se aliam
para criar programas globais de sustentabilidade da cidade.
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8.
Mídia local: Por razões que incluem suas receitas de
publicidade, raramente aderem à pauta da sustentabilidade.
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9.
O lobby local do carro. Enquanto há interesses
políticos e financeiros presos à continuidade do uso abundante
e sem restrições do carro na cidade, incluindo os
concessionários e comerciantes locais, fornecedores em geral,
estacionamentos, a grande variedade deste lobby é um
entendimento não questionado implicando que nada deve ser feito
que possa mudar seu relacionamento com o carro.
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10.
Todos nós: sem dúvida o maior obstáculo singular à
profunda reforma dos transportes é um resultado do fato de que
lida com uma área da vida pública altamente visível na qual
todo mundo, do prefeito ao cuidador de cachorro, sente que tem
algum grau de expertise implícita sobre o que vai funcionar ou
não na cidade … porque transporte é algo que eles fazem todos
os dias e podem ver com seus próprios olhos.
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Este
é um calcanhar de Aquiles das políticas de transportes, esta
tendência humana de todos sentirem que se fazem isso (i.e. Se
locomovem todo dia) isto significa que eles entendem a coisa. O
problema com isto é que o transporte em cidades é um metabolismo
altamente complexo de grande complexidade sistêmica que está
muito mais próxima da complexidade do cérebro humano do que do
outro copo de cerveja. Então um dos maiores desafios da reforma
dos transportes – a única opção viável disponível - é
ajudar os cidadãos e administradores públicos a chegar a
aproximações a esses desafios de complexidade, sem ao mesmo
tempo removê-los de seu papel como cidadãos ativos e
responsáveis e deixar tudo nas mãos centralizadoras dos experts.
Há um desafio de comunicação aqui. E um desafio considerável
de governança também.
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Veja-se,
não estou tentando comprar uma briga, apenas tentando
compartilhar certos padrões que tenho observado no meu trabalho
em grande espectro de cidades e ambientes. Você concorda?
Precisamos realmente fazer mais questionamentos difíceis,
incluindo nós mesmos.
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Quantas
são as barreiras, 10? E se pensar nelas em teros de sua própria
cidade, estou certo de que irá encontrar a maioria senão todas
essas acima e outras mais. Esse é então o primeiro desafio de
quem deseja avançar na pauta do transporte sustentável e
entender melhor esse terreno de dificuldades e descobrir caminhos
para lidar com isso.
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Com
certeza será impossível acomodar todos esses interesses ao mesmo
tempo. Mas os conceitos fundamentais e potenciais de um sistema de
mobilidade do século XXI são tais que se tomarmos uma abordagem
estratégica para lidar com tais barreiras, tomando-as uma de cada
vez e com grande paciência e visão, a pauta política pode ser
ampliada e talvez algumas pequenas primeiras vitórias possam ser
atingidas. Uma vez que isso aconteça, o restante se seguirá no
devido curso.
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Nosso
melhor conselhor para reforma dos transportes na sua cidade:
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Comece
pelo topo da lista, com seu Prefeito, enquanto simultaneamente
encaminha pacientemente o trabalho na sequencia um por um.
Construa uma base de suporte, e gradualmente a expanda. Seja
conhecido como um grande e paciente ouvinte.
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Pode haver interesse na leitura acima em paralelo com o sumário estratégico para um novo sistema de planejamento da pauta da Nova Mobilidade que pode encontrar nesse link. http://worldstreets.wordpress.com/strategy/mission/ |
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Barreiras à Nova Mobilidade
Esta é uma tradução livre do artigo de Eric Briton. É uma enumeração dos vários grupos de interesse na questão da mobilidade, provavelmente bem conhecidos. Um pouco de sistematização não faz mal a ninguém.
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