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terça-feira, 19 de março de 2013






Os utilizadores de bicicleta são moralmente incumpridores?


2012-12-04 07.21.07
A maioria das pessoas já terá reparado no facto de a maioria dos ciclistas urbanos não cumprir sempre as regras legais de trânsito. É habitual observar-se utilizadores de bicicleta a transgredir sinais vermelhos, a percorrer ruas em sentido proibido, ou a realizar viragens não permitidas. Diversos utilizadores de outros modos de transporte ficam indignados com este comportamento. Não existe ciclista infrator que não tenha já ouvido algum protesto, gestual, verbal ou na forma de buzinadela. O descontentamento latente é ainda mais vasto; a maioria dos cidadãos descontentes com aquele tipo de actos prefere não se manifestar, guardando o sentimento para si próprio. Ficam assim os ciclistas urbanos mal vistos entre boa parte das pessoas. São por vezes generalizadamente conotados como pessoas pouco respeitadoras das regras da sociedade, fundamentalistas do ambiente, anarquistas ou outras classificações de estilo. Será assim?
Para fazer uma avaliação moral do não cumprimento de algumas regras legais por parte dos ciclistas é útil dar um passo atrás e ter em conta a razão fundamental da existência de regras de trânsito: a segurança. Se recuarmos apenas duas gerações, verificamos que à altura praticamente não existiam semáforos. Recuando mais um pouco, não havia regras de trânsito. A inexistência dessas regras não se devia necessariamente ao facto de nos encontrarmos num estado civilizacional menos avançado, mas simplesmente à não necessidade delas. Os acidentes graves nas deslocações das pessoas não aconteciam. Choques entre carroças, cavalos, pessoas, ou bicicletas, eram raros e, quando ocorriam, causavam normalmente não mais do que uns beliscões.
Existem dois fatores na mobilidade que colocam em risco grave a segurança: a massa e a velocidade. Com o advento do automóvel, e das mortes e outros acidentes graves que a sua utilização despoletou, foram criadas e proliferadas as regras de trânsito. Efetivamente foi o surgimento de veículos pesados e rápidos que trouxe a necessidade de regular o movimento das pessoas. As regras quanto à forma como nos deveríamos deslocar tornaram-se assim banais ao fim de poucas décadas.
A moral vigente relativamente ao respeito pelas regras de trânsito é diferente conforme o modo de deslocação que se utiliza. É por exemplo moralmente inaceitável para a maioria dos cidadãos ver um automóvel a ultrapassar um sinal vermelho, mesmo em situações em que o risco seja aparentemente inexistente. Aos peões não se aplica a mesma moral. É aceitável, para praticamente qualquer um, ver o peão atravessar com o sinal vermelho, desde que não existam veículos na estrada em vias de passar por ali. Ainda que esta diferenciação de julgamento moral ocorra quase inconscientemente, as razões da sua existência são simples. Se for imprudente, um peão dificilmente causará um dado grave a alguém, à exceção dele próprio. Não só tem um incentivo extremamente forte para ser prudente (egoisticamente falando) a fim de preservar a sua própria vida, como no caso de ser imprudente isso acarreta um risco menor para terceiros.
A aplicação à bicicleta de princípio moral análogo parece ser evidente. Uma bicicleta e o seu passageiro têm uma massa cerca de 20 vezes inferior à de um automóvel. Por outro lado a bicicleta anda normalmente a velocidade, digamos, 3 vezes inferior à de um automóvel. Nestas circunstâncias, a energia do automóvel em movimento é cerca de 200 vezes superior à da bicicleta mais o seu passageiro. Os riscos de danos graves em caso de acidente não devem portanto ser colocadas em patamares equivalentes. Legalmente, não é permitido a um ciclista passar um vermelho. Moralmente, pode ser aceitável.
É curioso a este respeito verificar o que acontece em países onde a bicicleta é encarada massivamente como um modo de transporte utilitário: aquilo que é legalmente proibido em Portugal é, em muitos casos, perfeitamente legal noutros sítios. Em países como a Holanda, a Dinamarca, a Suécia, a Alemanha, a França e outros, é permitido, em diversas circunstâncias, passar sinais vermelhos, atravessar ruas em sentido inverso ou realizar viragens onde tal não é permitido ao automóvel. Também é comum nestes países ver ciclistas a infringir algumas regras de trânsito, sem que isso seja especialmente encarado pelos concidadãos como algo reprovável em todas as circunstâncias.
Nada disto invalida que existam alguns ciclistas a ter comportamentos efetivamente reprováveis na forma como interpretam e aplicam as regras de trânsito. E que, tal como os restantes cidadãos, não sejam imunes a regras com conta, peso e medida. Mas não seria útil que o comportamento de uns fosse generalizado ao resto da população – tal como o comportamento pouco cuidado de alguns automobilistas não deve ser generalizado a todos – nem que o comportamento de outros ciclistas seja moralmente avaliado de forma desajustada relativamente à necessidade de manter a segurança nas deslocações que fazemos.
Por fim, é uma verdade que é bastante delicada a questão de traçar os limites da moralidade, especialmente se ela não coincide com os limites da legalidade. Para resolver este conflito, seria útil adequar a lei à realidade emergente da adoção da bicicleta.
(Artigo publicado no jornal Notícias do Parque, Dezembro 2012)

Origem

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terça-feira, 5 de março de 2013

Ruadovia ou Rodorua

Nos EUA o pessoal cunhou a palavra STROADS pela combinação de street e road , para designar vias que acabam falhando como ruas, pela alta velocidade, difícil para pedestres e ciclistas, muitos espaços de estacionamento improdutivos etc., e falham também como rodovias, por não permitir altas velocidades em vista de pedestres e comércio adjacente.

O vídeo está em inglês.





segunda-feira, 4 de março de 2013

Todo Mundo Tem Direito à Vida


Rua da Passagem – Lenine
Composição: Arnaldo Antunes / Lenine


Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental
Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal
Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal
Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal
Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal
Não se deve atropelar um cachorro
Nem qualquer outro animal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Travesti trabalhador turista
Solitário família casal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental
Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tchau

domingo, 3 de março de 2013

Manezinho

Senhor andando de bicicleta no bairro Estreito, parte continental de Florianópolis.

Na beira do mar, bem trajado, muito chique!!!